Renato Sabato

Geopolítica está revolucionando suprimentos

O atual cenário geopolítico está gerando uma revolução em suprimentos, demandando maior foco em resiliência da cadeia e foco no risco de ruptura

geopolíticaresiliênciagestão de risco

O mundo de suprimentos vive uma revolução. E a IA não só não tem nada a ver com isso, como não vai ajudar em nada nessa revolução!

O mundo está vendo um cenário geopolítico maluco. Isso afeta diversos fornecedores globalmente e o resultado: preços oscilando fortemente e episódios de escassez. Um exemplo é a volatilidade extrema de preços globais de fertilizantes (com a guerra da Rússia - Ucrânia)

O que as empresas estão fazendo para se proteger? Trocando o foco que antes era exclusivo de savings, para resiliência da cadeia. Ou seja:

  • Estoques maiores
  • Estratégia de dual / multiple sourcing
  • Incluir risco na análise de seleção de fornecedores (em vez de só olhar preço)
  • Contratos criativos (com gatilhos para situações que gerem volatilidade)

Suprimentos ganhou novas responsabilidades. O papel do CPO subiu de nível. Mas como esse mundo vai evoluir? Aqui estão três previsões:

  1. IA não vai ajudar nessa revolução. Pelo menos não nos próximos 3 anos. Embora a IA já seja muito útil (exemplo: negociações transacionais), ela ainda sofre para decisões em cenários complexos

  2. Times vão usar risco como métrica central. Ela deixa de ser pontual (decisão de um fornecedor) e passa a fazer parte do spend analysis, ao lado de savings. Similar ao que investidores já fazem há anos com "risco-retorno"

  3. Vão surgir “pods” de avaliação de risco. Serão times multi-funcionais focados em categorias críticas para a empresa que avaliarão continuamente os riscos de quebra da cadeia

Suprimentos vai deixar de ser uma área puramente de eficiência e vai virar responsável por “alocação de capital”. As empresas que demorarem para perceber isso vão aprender na dor, na próxima ruptura da cadeia.